TY - GEN
T1 - Solidariedades Geograficas e Violencia Urbana.
AU - De Melo Melgaço, Lucas
PY - 2005
Y1 - 2005
N2 - Frequentemente se vê uma associação simplista e não-dialética entre anomia e violência urbana. Porém, entender a questão urbana como sinônimo de caos pode impedir uma compreensão mais profunda das cidades. Neste sentido, a distinção que Hannah Arendt (1994) faz entre os conceitos de poder e violência traz novas possibilidades de compreensão da violência urbana. Para ela, o poder corresponde à habilidade humana para agir em concerto, em grupo. Já a violência é sempre individual e se baseia em instrumentos. Pode-se interpretar, portanto, que a origem do poder está na capacidade de articulação entre os membros de um grupo e que a violência se mostra necessária quando não se consegue atingir tal nível de articulação. Esta reflexão nos remete às duas formas de solidariedades geográficas (orgânica e organizacional) propostas pelo geógrafo Milton Santos (1994; 1998; 2005), as quais também possuem nas articulações um dos seus fundamentos. A aproximação entre o conceito de solidariedades geográficas e o conceito de poder vem se mostrando reveladora quando se busca compreender fenômenos recentes e complexos como os da violência urbana, do crime organizado, dos movimentos populares e da segregação espacial. Na verdade, as cidades não vêm se tornando um centro de anomias, de irracionalidades, mas sim, um local de contra-racionalidades. E o entendimento destas contra-racionalidades pode ser uma informação estratégica para o planejamento urbano.
AB - Frequentemente se vê uma associação simplista e não-dialética entre anomia e violência urbana. Porém, entender a questão urbana como sinônimo de caos pode impedir uma compreensão mais profunda das cidades. Neste sentido, a distinção que Hannah Arendt (1994) faz entre os conceitos de poder e violência traz novas possibilidades de compreensão da violência urbana. Para ela, o poder corresponde à habilidade humana para agir em concerto, em grupo. Já a violência é sempre individual e se baseia em instrumentos. Pode-se interpretar, portanto, que a origem do poder está na capacidade de articulação entre os membros de um grupo e que a violência se mostra necessária quando não se consegue atingir tal nível de articulação. Esta reflexão nos remete às duas formas de solidariedades geográficas (orgânica e organizacional) propostas pelo geógrafo Milton Santos (1994; 1998; 2005), as quais também possuem nas articulações um dos seus fundamentos. A aproximação entre o conceito de solidariedades geográficas e o conceito de poder vem se mostrando reveladora quando se busca compreender fenômenos recentes e complexos como os da violência urbana, do crime organizado, dos movimentos populares e da segregação espacial. Na verdade, as cidades não vêm se tornando um centro de anomias, de irracionalidades, mas sim, um local de contra-racionalidades. E o entendimento destas contra-racionalidades pode ser uma informação estratégica para o planejamento urbano.
KW - Solidarity, violence, power, Hannah Arendt
M3 - Conference paper
T3 - "Supporting the Urbanity: Conflicts, identities and territories". VI meeting of the Urban Development Workgroup of the Latin Council of Social Sciences
BT - "Supporting the Urbanity: Conflicts, identities and territories". VI meeting of the Urban Development Workgroup of the Latin Council of Social Sciences
PB - Medellin, Colombia.
T2 - Unknown
Y2 - 1 January 2005
ER -