O discurso do dicionário

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Samenvatting

A lexicografia, uma área quase subalterna da lingüística aplicada, vive tradicionalmente uma situação contraditória: todos admitem usar dicionários, todavia poucos os estudam. Na sala de aula, o professor de línguas estrangeiras é costumeiramente intimado a responder à pergunta "qual o dicionário que você aconselha?" Ele permanece necessariamente mudo, ou finge que sabe a resposta, mas nem por isso é levado a fazer uma pesquisa, por mínima que seja, que dê uma resposta fundamentada à pergunta. Os dicionários são usados, mas são pouco questionados. Os menos usados, os monolíngües, são os menos questionados. Os bilíngües, os mais.
Várias razões podem ser aduzidas para explicar este fato. A primeira decorre do fato de que qualquer dicionário, mesmo de dimensões reduzidas, é um empreendimento a longo termo. E, como já dizia La Rochefoucauld, "As pessoas têm grandes ambições e pequenos projetos". O oficio do lexicógrafo é visto como enfadonho, meticuloso em demasia, não poucas vezes, interminável. Daí a percepção do dicionário como entidade fora deste mundo, incriticável, sem autor, ou autor mítico. A Introdução ao Aurélio (1ª ed.) menciona vários casos de lexicógrafos que nunca viram a luz do outro lado do alfabeto, que morreram no meio da letra M ou enlouqueceram no limiar da letra O. Daí a percepção da lexicografia como um mundo de respeitoso tédio. O próprio Doctor Johnson, autor do primeiro dicionário moderno de inglês, se auto-caracterizava pouco romanticamente como: "um autor de dicionários; uma besta de carga inofensiva, que se ocupa em perseguir o significado original das palavras e detalhando sua significação." . A perspectiva de se confrontar com os frutos de um trabalho tão enfadonho não parece, para um pesquisador em potencial, um assunto muito atraente. Talvez seja a falta de pesquisadores, combinada com a sua contraditória popularidade, que faça do dicionário um objeto quase surreal, oriundo de um Sinai longínquo, anônimo, cujo conteúdo nunca foi tocado por nenhuma mão humana.
Originele taal-2English
TitelDesvendando discursos. Conceitos b�sicos.
RedacteurenCarmen Rosa Caldas Coulthard, Leonor Scliar Cabral
UitgeverijEditora ufsc
Pagina's318-344
Aantal pagina's26
ISBN van geprinte versie978-85-328-0421-1
StatusPublished - 2008

Bibliografische nota

Carmen Rosa Caldas Coulthard, Leonor Scliar Cabral

Vingerafdruk

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